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Publicado em:

16/05/2024

Como as startups estão revolucionando o setor de saúde com Inteligência Artificial?

por Innovation Latam


Um em cada quatro profissionais de saúde entrevistados se sente sobrecarregado, principalmente devido à falta de recursos ou capacidade, ou aos prazos irracionais exigidos. A informação é da Pesquisa Global Hopes and Fears de 2023, da PwC. De olho nessa dor, já faz algum tempo que a inteligência artificial se tornou uma ferramenta importante no setor. Mas, a tecnologia tem se mostrado crucial não apenas para aliviar a pressão no segmento, como para enfrentar desafios prementes e melhorar a eficiência e a qualidade do cuidado prestado aos pacientes. Nesse cenário, a chegada da IA generativa abre um novo leque de possibilidades e, apesar das incertezas e desafios que trazem morosidade ao processo de adoção, as possibilidades já vêm sendo exploradas com intensidade pelas grandes indústrias e até mesmo órgãos governamentais. A boa notícia é que as startups são, na maioria das vezes, as responsáveis por oferecer o suporte necessário para essas empresas inovarem com a velocidade exigida pelo mercado.


IA e as startups


Desde a pandemia do Covid-19, as startups têm contribuído de forma acelerada para a digitalização do segmento da saúde, por meio das chamadas healthtechs. Dados do mercado apontam que essa foi, inclusive, uma das três verticais que mais cresceram em número de startups no Brasil nos últimos anos, sendo que ainda são aguardadas grandes oportunidades de investimento.


Assim, se fortalecem também as healthtechs baseadas em inteligência artificial que, segundo um estudo recém-divulgado, ocupam a segunda posição no ranking de startups ativas no Brasil com aplicabilidade da tecnologia – como curiosidade, no total foram mapeadas no país mais de 772 startups explorando essa tecnologia, nos mais diversos setores. Apesar do potencial, as healthtechs com uso de IA não entraram para o ranking dos investimentos, que movimentaram cerca de R$ 1 bilhão entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2024.


Casos de uso


Os casos de uso das startups com IA são abrangentes e vão desde a aplicação da tecnologia no processamento de imagens, personalização de tratamentos, P&D de tratamentos e medicamentos, até o monitoramento de pacientes.


No Brasil, a principal área de atuação dessas empresas ainda está relacionada à gestão e desenvolvimento de prontuário eletrônico. Mas, de acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a expectativa é que a expansão tecnológica passe a colaborar para o aprimoramento da cadeia de serviços em saúde, sendo uma ferramenta para a educação em autocuidados, orientação e prevenção para a população.


O movimento já começou. Em junho do ano passado, a ANS participou da chamada pública "Soluções de Inteligência Artificial para o Poder Público”, com o objetivo de acelerar o projeto de transformação digital iniciado pela reguladora em 2015, e possibilitar que sejam superados obstáculos burocráticos e restrições orçamentárias para desenvolver novas frentes de atuação com o uso da inteligência artificial, tanto na regulação da saúde suplementar, como na oferta de serviços melhores e mais eficientes à população.


Desafios


Não apenas no setor da saúde, mas em todos os outros que pretendem se beneficiar da tecnologia, sua aplicação ainda enfrenta muitos desafios, como a falta de regulamentação, escassez global de profissionais qualificados, ética e moralidade, gestão de grandes volumes de dados essenciais para aprimorar algoritmos de IA e insegurança ou falta de conhecimento.


Felizmente, por ter um interesse direto na tecnologia, o setor da saúde tem se envolvido de perto em discussões sobre, por exemplo, o Marco Regulatório da Inteligência no Brasil.


Um passo importante partiu da Organização Mundial da Saúde (OMS), que, buscando uma governança global para o futuro da inteligência artificial na saúde, lançou em janeiro deste ano novas diretrizes sobre ética e governança de LLMs. O documento traz análises sobre os perigos e benefícios do uso de grandes modelos multimodais, um tipo de tecnologia de IA generativa em ascensão na área.


A OMS descreve cinco campos de aplicação para LMMs na área da saúde: diagnóstico e atendimento clínico, uso orientado pelo paciente, investigação de sintomas e tratamentos, tarefas administrativas e resumo de visitas em registros eletrônicos de saúde, educação médica e de enfermagem, bem como pesquisa científica e desenvolvimento de medicamentos.


Além disso, alerta para riscos em produzir declarações falsas, imprecisas, tendenciosas ou incompletas, o que poderia prejudicar as pessoas que usam essas informações para tomar decisões de saúde.


A recomendação é que os governos definam padrões para o desenvolvimento e implantação de LMMs na assistência médica. Isso inclui fornecer infraestrutura pública, exigir ética dos usuários em troca de acesso a conjuntos de dados públicos e utilizar leis para garantir a conformidade ética e de direitos humanos na aplicação de LMMs em medicina.


Hub de inovação


Para acelerar a aplicabilidade da IA no setor da saúde, é crucial que todos os stakeholders participem ativamente do diálogo a fim de promover a resolução de desafios sociais de maneira inovadora e crucial no desenvolvimento dos negócios.


Parcerias estratégicas com startups têm se consolidado como tendência no setor e favorecem a criação de hubs de inovação nichados. Além disso, possibilitam o cruzamento com outros setores diretamente envolvidos, como o da segurança cibernética.


Foi isso que aconteceu durante o mais recente Pitch Day do Web Security Hub, hub de Inovação da Akamai Technologies, organizado em parceria com a Innovation Latam na semana passada.


Nosso CEO, João Pedro Brasileiro, foi o moderador do evento que destacou o potencial inovador da inteligência artificial no setor de saúde. Para o evento, selecionamos três startups: a Blue AI, com a presença de Pedro Freire; a RedCheck, representada por Lucas E. Cyrillo Leardini; e a NeuralMed, representada por Anthony Eigier. Além disso, o evento contou com um painel composto por executivos do setor, a fim de promover oportunidades de conexão e troca de experiências.


“A abordagem é ainda pouco explorada entre os especialistas em segurança cibernética, mas tem muita sinergia, uma vez que a segurança dos dados dos pacientes é uma das barreiras que impede a adoção mais rápida da tecnologia no setor da saúde. A intenção foi criar uma comunidade engajada com pessoas de alto nível no setor”, justifica Brasileiro.


O evento não apenas iluminou a promissora intersecção entre IA e saúde, mas também reforçou o compromisso do Web Security Hub em fomentar a inovação através da comunidade e conexão, promovendo um ambiente de troca rica e construtiva que beneficia todos os envolvidos.


As apresentações foram recebidas com entusiasmo pelo público, composto por executivos de inovação e CEOs de startups. A NeuralMed iniciou a sessão destacando sua tecnologia de ponta projetada para aprimorar a precisão diagnóstica e a gestão de pacientes. Após a apresentação, a audiência participou ativamente com perguntas perspicazes sobre a integração da IA nos quadros médicos existentes, demonstrando um interesse profundo nas aplicações práticas.


RedCheck seguiu o evento, introduzindo sua solução de IA focada em agilizar o processamento de dados dos pacientes e melhorar a velocidade e confiabilidade das avaliações médicas. A sessão de perguntas e respostas explorou a capacidade de escalabilidade de sua tecnologia em diferentes ambientes de saúde.


Para finalizar, a BlueAI apresentou sua plataforma de IA, que otimiza o cuidado ao paciente através de análises avançadas de dados. O diálogo entre a startup e o público enfatizou a importância das medidas de segurança no manuseio de dados de saúde sensíveis.


Após a experiência animadora, o próximo passo da Innovation Latam é facilitar a conexão dos integrantes do evento com as startups apresentadas. Os Pitch Days do Web Security Hub são exclusivos para os membros do hub. Se você quer participar do próximo, participe do hub.