Publicado em:
19/04/2024
Com a missão de possibilitar as conexões significativas que mudam o mundo, meio milhão de pessoas já participaram dos eventos da Web Summit desde sua primeira edição, em Dublin, em 2009. A mais recente iniciativa acabou de ser realizada no Rio de Janeiro e reuniu 34.397 participantes de 102 países, registrando um aumento de quase 60% em relação aos participantes da primeira edição da versão América Latina, realizada no ano passado.
A programação contou com a participação de 1.066 startups, 499 investidores, 175 parceiros, 518 palestrantes e 844 membros da mídia de todo o planeta.
A equipe da Innovation Latam acompanhou de perto a edição e traz neste post as impressões sobre aquele que já é considerado o maior evento de tecnologia internacional no Brasil.
Por termos acompanhado de perto também o Web Summit Lisboa, nosso primeiro ímpeto foi o de fazer uma comparação entre as estruturas. E temos que admitir que o nosso Brasilzão fez jus ao título de “celeiro de inovação" e não deixou a desejar perto do evento europeu. Aos olhos do nosso CEO, João Pedro Brasileiro, a organização do evento surpreendeu.
Tal qual acontece lá fora, no entanto, os participantes foram submetidos a uma enxurrada de conteúdo e informações, o que naturalmente deixou uma sensação latente de “não estar absorvendo tudo que poderia”.
O negócio, como você deve saber por fazer parte do mindset de um empresário de sucesso, foi manter o foco.
No nosso caso, fez muito sentido acompanhar as discussões sobre ESG e IA generativa. Além disso, aproveitamos a oportunidade de estar em um lugar capaz de reunir nomes tão fortes do cenário para aprender com seus erros e acertos.
ESG
Com uma série de iniciativas para apoiar a diversidade, igualdade e inclusão nos mundos da tecnologia, um dado curioso do Web Summit Rio 2024 amplamente divulgado pela produção foi o fato de 45% do total de startups participantes terem sido fundadas por mulheres. Um recorte que, já de cara, nos levou a celebrar o fato da pauta ESG, tão prezada pela Innovation Latam, ganhar lugar de destaque no evento.
Nesse sentido, ressaltamos a quantidade de iniciativas apresentadas em busca de soluções para a questão da transição energética no país, uma pauta que está se fortalecendo a cada dia.
O tema ESG foi abordado com bastante responsabilidade também durante o segundo encontro do Startup20 – grupo que reúne representantes do ecossistema de startups dos 19 países do G20 e da União Europeia e União Africana –, sediado no Web Summit.
A discussão levou o título de “Horizontes Sustentáveis: Moldando o Futuro do ESG em Startups de Tecnologia e Inovação”, e contou com a participação de Mariane Takahashi, CEO da Abstartups; Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad; e João Amaral, CEO e fundador da Sustainable Ventures.
A escolha do Web Summit para sediar o encontro foi estratégica e sinérgica, como pontuou a presidente da Abstartups, Ingrid Barth, na abertura. “O Web Summit e a cidade do Rio de Janeiro são o palco perfeito para alargarmos os horizontes das nossas discussões globais e abrilhantar a liderança brasileira do bloco econômico, abraçando as ideias pioneiras propostas pelo grupo de engajamento do G20", disse, destacando a importância de fomentar o ambiente de tecnologia brasileiro como forma de posicionar o país frente ao ecossistema de inovação mundial e também atrair investimentos para os negócios nacionais.
“Para que o mundo acredite no nosso potencial empreendedor e inovador precisamos, antes de tudo, também acreditar e dar visibilidade à nossa capacidade de fazer negócios. Mesmo com todos os desafios, nossos empreendedores constroem negócios inovadores e com grande potencial de transformação”, ela reforçou – o que soou muito bem aos nossos ouvidos e coração, já que reafirma o papel social que a Innovation Latam assume nesse cenário.
Inteligência Artificial Generativa
Se você ainda não notou, a IA generativa é um tema no qual temos apostado, investido e, portanto, acompanhado desde o início do movimento (aliás, publicamos uma matéria sobre esse tema ainda essa semana, se você ainda não leu, clique aqui).
Chegamos ao evento ansiosos para seguir essa trilha, mas nos deparamos com uma “armadilha”. O “X” da questão foi que quase todo mundo decidiu surfar nessa onda, o que resultou em uma batalha de “AI” entre os palcos, concorrendo pela atenção do público.
Resumo: não deu pra absorver tudo.
Ainda assim, um rápido overview é capaz de mostrar que as preocupações sobre o tema foram dos crimes cibernéticos às novas soluções para setores promissores como o agronegócio, passando pelas questões legais, o poder de persuasão da tecnologia e a discussão sobre seu potencial para gerar (ou tirar) empregos.
Experiência e Aprendizado
Para os empreendedores do mundo das startups, o evento trouxe inúmeros cases inspiradores e CEOs dispostos a compartilhar suas experiências para fazer o ecossistema crescer cada vez mais.
O fundador e CEO da Antler, Magnus Grimeland, por exemplo, participou de uma discussão ampla sobre os desafios que as startups - e os fundadores, em particular - enfrentam nos estágios iniciais de seus negócios e afirmou que “de longe, a parte mais importante para ter sucesso na construção de um negócio é montar a equipe certa de co-fundadores."
Ele destacou que menos de 0,5% de todos os unicórnios no mundo foram construídos por um único fundador. “Então, a chance de sucesso sozinho é muito baixa. Ainda é possível, mas é muito baixa. E a razão para isso é nos primeiros dias de construção de uma empresa, é só você. E se houver dois ou três de vocês com conjuntos de habilidades diferentes e que trabalham muito bem juntos, essa capacidade nos primeiros dias de criar momentum e carregar seu negócio se torna muito maior."
Magnus também identificou três coisas-chave que procura para determinar as chances de sucesso de uma empresa: Pico, Impulso e Determinação. “Fundadores incríveis têm essa tendência de nunca desistir; quando as coisas ficam realmente difíceis, basicamente encontram maneiras de contornar isso; eles reinventam seu modelo de negócio. Eles continuam, certo? Olhe para Elon Musk ou outros grandes fundadores. Eles quase explodiram todos os foguetes. A Tesla quase faliu sete ou oito vezes. Mas você encontra soluções ao redor disso que garantem que você possa continuar a construir e crescer seu negócio."
Ainda sobre compartilhar experiências, em outro momento, Andy Young, sócio da Kaszek, e Alejandro Vásquez, co-fundador e presidente da Nuvemshop, voltaram ao tema da importância da equipe, desta vez com foco na contratação dos talentos pelas startups.
Segundo Young, as startups precisam "buscar pessoas realmente talentosas" ao "ir para o tudo ou nada nas contratações externas”. "Acho que há um erro que [Nuvemshop] cometeu - e corrigiu - que acho que é um que vemos vez após vez; que é você passar todo o seu tempo desenvolvendo seu talento interno ... e não ir para o tudo ou nada nas contratações externas. Você tem que ir para o tudo ou nada em algumas dessas contratações mais cedo. Tipo, se você é uma startup empolgante e CEO, vá buscar pessoas realmente talentosas. Não diga, 'oh, somos seis argentinos, cinco argentinos, não podemos fazer isso sozinhos'. Consiga os melhores e os traga para sua equipe", compartilhou.
Vásquez salientou a importância de se garantir uma boa adaptação cultural com as contratações externas: "Nós trazemos muito talento de fora, mas quando você não se adapta - quando aquela pessoa não se adapta - não vai funcionar. Isso é realmente, realmente importante."
E aí, o que achou? Se você esteve no evento e ouviu algo diferente, não deixe de comentar e contar para nós!