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11/07/2024

Os principais insights do AI Index Report 2024

Se você é (ou se tornou) um “IA lover,” como nós, da Innovation Latam, está cansado de saber que, embora a chegada da inteligência artificial generativa em 2022 tenha dado nova visibilidade ao tema, a tecnologia vem sendo utilizada há anos. Desde 2017, inclusive, o AI Index Report, da Stanford University, cumpre a missão de rastrear, compilar, destilar e visualizar dados relacionados à inteligência artificial, sendo uma fonte confiável de informações para quem deseja entender melhor toda a sua evolução.


A novidade é que a mais recente edição do relatório, publicada em abril, destaca as significativas mudanças na sociedade, estimuladas pela visibilidade dada ao tema nos últimos anos.


Aliás, para não deixar nenhuma impressão passar despercebida, a edição 2024 ampliou o escopo a fim de cobrir mais extensivamente tendências essenciais, como avanços técnicos em IA, percepções públicas sobre a tecnologia e as dinâmicas geopolíticas que envolvem seu desenvolvimento.


Como resultado, foram apresentadas ao público novas estimativas sobre os custos de treinamento de IA, análises detalhadas do cenário de IA responsável e um capítulo inteiramente novo dedicado ao impacto da IA na ciência e na medicina.


Neste artigo, o fundador e CEO da Innovation Latam, João Pedro Brasileiro, comenta as dez principais conclusões do AI Index Report 2024, sob a perspectiva do mercado brasileiro:



1. IA supera humanos em algumas tarefas, mas não em todas.


O relatório mostra que a IA superou o desempenho humano em vários benchmarks, incluindo alguns em classificação de imagens, raciocínio visual e compreensão de inglês. No entanto, ainda fica atrás em tarefas mais complexas, como matemática em nível de competição, raciocínio visual de senso comum e planejamento.


“Não estamos falando de uma ameaça, mas sim de agregar valor. Cada vez mais, a IA se torna uma aliada do trabalho humano, assumindo funções repetitivas e abrindo espaço para o desenvolvimento e destaque profissional daqueles dedicados à estratégia”, destaca o CEO.



2. IA torna os trabalhadores mais produtivos e leva a um trabalho de maior qualidade. 


Comprovando a visão de Brasileiro, o relatório ressalta que, em 2023, vários estudos avaliaram o impacto da IA no trabalho, sugerindo que ela permite que os trabalhadores completem tarefas mais rapidamente e melhorem a qualidade de seus resultados. Esses estudos também demonstraram o potencial da IA para reduzir a diferença de habilidades entre trabalhadores de baixa e alta qualificação. No entanto, outros estudos alertam que o uso de IA sem supervisão adequada pode levar a uma diminuição no desempenho.



3. A indústria continua dominando a pesquisa de IA de ponta. 


Em 2023, a indústria produziu 51 modelos de aprendizado de máquina notáveis, enquanto a academia contribuiu com apenas 15. Houve também 21 modelos resultantes de colaborações entre indústria e academia em 2023, um novo recorde.



4. Modelos de ponta estão se tornando muito mais caros. 


De acordo com estimativas do AI Index, os custos de treinamento de modelos de IA de última geração alcançaram níveis sem precedentes. Por exemplo, o GPT-4 da OpenAI usou um valor estimado de $78 milhões em computação para treinar, enquanto o Gemini Ultra do Google custou $191 milhões em computação.



5. O investimento em IA generativa disparou. 


Apesar de um declínio no investimento privado geral em IA no ano passado, o financiamento para IA generativa quase octuplicou de 2022, atingindo $25,2 bilhões. Grandes players no espaço de IA generativa, incluindo OpenAI, Anthropic, Hugging Face e Inflection, relataram rodadas substanciais de captação de recursos.


“Olhando para esses itens, podemos afirmar que os investimentos, especialmente da indústria, estão sendo impulsionados pela demanda do mercado, que reconhece cada vez mais o valor da tecnologia no aumento do Retorno sobre o Investimento (ROI). Essa perspectiva é essencial para demonstrar que não estamos apenas falando de um hype, mas de uma tecnologia que se tornará cada vez mais necessária e, portanto, precisa se manter atualizada”, observa Brasileiro.



6. Os Estados Unidos lideram China, UE e Reino Unido como a principal fonte de modelos de IA de ponta. 


Em 2023, 61 modelos de IA notáveis originaram-se de instituições baseadas nos EUA, superando de longe os 21 da União Europeia e os 15 da China. 


“O apetite dos empreendedores brasileiros pela adoção de novas tecnologias também tem impulsionado o desenvolvimento da IA no país. Como consequência, o próprio relatório Global da AI Index mostra que ocupamos a 35ª posição globalmente e somos líderes em adoção na América Latina. Isso nos traz boas perspectivas”.



7. O progresso científico acelera ainda mais, graças à IA. 


Em 2022, a IA começou a avançar na descoberta científica. No entanto, 2023 viu o lançamento de aplicações relacionadas à ciência ainda mais significativas, desde o AlphaDev, que torna a ordenação de algoritmos mais eficiente, até o GNoME, que facilita o processo de descoberta de materiais.



8. O número de regulamentações de IA nos Estados Unidos aumentou significativamente. 


Nos últimos cinco anos, o número de regulamentações relacionadas à IA nos EUA aumentou significativamente, especialmente no ano passado, quando houve 25 regulamentações relacionadas ao tema, representando um crescimento de 56,3% em relação a 2016. 


“Enquanto isso, no Brasil, a votação do projeto de lei que regulamenta a inteligência artificial (IA) foi adiada pela terceira vez no Senado. Existem diferentes perspectivas sobre o caminho que essa regulamentação deve adotar, se mais genérica para não travar o avanço, ou mais específica. O importante é que vemos os players bastante ativos nessa discussão. Afinal, está mais do que provada a importância da regulamentação tanto para prover segurança às empresas que estão adotando a tecnologia quanto para garantir que seus efeitos sejam, de fato, benéficos à sociedade”, salienta Brasileiro.



9. Avaliações robustas e padronizadas para responsabilidade de IA estão seriamente em falta. 


Novas pesquisas do AI Index revelam uma falta significativa de padronização nos relatórios de IA responsável. Desenvolvedores líderes, incluindo OpenAI, Google e Anthropic, testam seus modelos principalmente contra diferentes benchmarks de IA responsável. Essa prática complica os esforços para comparar sistematicamente os riscos e limitações dos principais modelos de IA.



10. Pessoas ao redor do mundo estão mais conscientes do impacto potencial da IA — e mais nervosas.


Uma pesquisa da Ipsos mostra que, no último ano, a proporção de pessoas que acham que a IA afetará dramaticamente suas vidas nos próximos três a cinco anos aumentou de 60% para 66%. Além disso, 52% expressam nervosismo em relação a produtos e serviços de IA, marcando um aumento de 13 pontos percentuais em relação a 2022. Nos Estados Unidos, dados do Pew sugerem que 52% dos americanos relatam sentir-se mais preocupados do que empolgados com a IA, um aumento em relação aos 38% de 2022.


“É natural que o desconhecido gere medo. E, como apontado pelo próprio relatório, existe sim uma necessidade e urgência em avançar na discussão sobre o uso responsável da tecnologia. Essa postura tende a evoluir à medida que uma regulação séria seja estabelecida. Não é uma discussão simples nem rápida, e exige cautela por envolver muitas nuances, mas temos avançado e a tendência é que, com o aumento dos casos de uso, essas discussões acelerem de maneira construtiva”, finaliza o CEO, positivamente.