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17/08/2023

Os Três Horizontes da Inovação: Entenda Através de Cases Práticos

A inovação, frequentemente elogiada como a força motriz por trás do sucesso sustentável de grandes corporações, não é um conceito único ou monolítico. Em vez disso, abrange uma gama diversificada de iniciativas, estratégias e riscos. É um modelo estratégico que ajuda a decifrar este complexo cenário e foi popularizado por Baghai, Coley, e White em seu livro "The Alchemy of Growth”. 


Os Três Horizontes da Inovação é um conceito que equilibra inovações de curto e longo prazo nas organizações, oferecendo uma estrutura para equilibrar oportunidades já conhecidas, como também aquelas que ainda são desconhecidas.


A chave para um negócio sustentável é entender qual horizonte priorizar em diferentes estágios da trajetória da empresa e ajustar a estratégia de inovação. A Apple, Amazon e Google exemplificam como essa abordagem multifacetada e na prática pode gerar impactos duradouros e transformadores.


Horizonte 1 (H1): Aperfeiçoando o Existente

Concentra-se no core business atual da empresa. Aqui, o objetivo é melhorar e aprimorar o que já está em funcionamento. É uma abordagem menos arriscada, focada principalmente em inovações incrementais. Inovações do Core Business são aquelas que otimizam e sustentam o modelo de negócio atual. Exemplos: melhorias em processos, expansões territoriais e ampliações de linhas de produtos.


Case: Apple e o iPhone


O H1 é tudo sobre otimizar e aprimorar o que já está funcionando. Nele, as empresas focam em inovações incrementais para melhorar seus produtos e serviços existentes. A Apple, por exemplo, com o lançamento anual de suas versões do iPhone, demonstra isso perfeitamente. Embora cada modelo traga novas características e melhorias, a base do produto permanece consistentemente a mesma. Essas inovações incrementais sustentam a empresa enquanto ela se mantém competitiva e relevante no mercado.


Horizonte 2 (H2): Expandindo Fronteiras

Direcionado aos mercados adjacentes ao core business. Essa abordagem busca novas oportunidades e possíveis expansões no mercado já familiar, porém ainda não explorado plenamente pela empresa. Inovações Emergentes são iniciativas que buscam novos modelos de negócio, ainda em fase de maturação. Exemplos: desenvolvimento de novos produtos ou serviços para mercados adjacentes ou novas formas de interação com clientes.


Case: Amazon e o Amazon Prime


O H2 envolve explorar novas oportunidades que se alinham diretamente com o negócio principal da empresa. Aqui, o risco é maior do que em H1, mas a recompensa potencial também é. A Amazon, originalmente uma livraria online, explorou o mercado de associação premium com o lançamento do Amazon Prime: a introdução do Prime permitiu-lhe entrar em várias novas esferas: entretenimento, música, armazenamento em nuvem, entre outros. Ao considerar a expansão, a Amazon olhou para as necessidades não atendidas de seus clientes. A entrega rápida emergiu como uma demanda principal. Assim nasceu o Amazon Prime, inicialmente uma assinatura que oferecia entregas em dois dias. Este serviço, por si só, não era apenas uma extensão da proposta de valor original da Amazon, mas também uma forma de solidificar a lealdade do cliente. Oferecendo uma combinação de entrega rápida, streaming de conteúdo e outros benefícios, a Amazon não só reforçou sua base de clientes fiéis como também diversificou suas fontes de receita. O Amazon Prime é um excelente exemplo de como uma empresa pode se expandir para mercados adjacentes com base em sua força principal.


Horizonte 3 (H3): Explorando o Desconhecido


É o horizonte mais ousado, voltado para a experimentação. Aqui, as empresas buscam criar modelos de negócios completamente novos, arriscando-se em inovações radicais que podem ou não se concretizar. As Inovações Radicais representam o futuro distante da empresa, com modelos de negócios completamente novos ou tecnologias disruptivas. Exemplos: veículos autônomos na indústria automobilística ou realidade virtual no varejo.


Case: Google e o Project Loon


O Project Loon representa este modelo porque a natureza experimental do Loon, seu potencial impacto global e os desafios tecnológicos associados o colocaram firmemente no campo do H3. 


A iniciativa buscou usar balões de alta altitude - estacionados na estratosfera - para fornecer acesso à internet em áreas rurais e remotas. Não era uma extensão direta do core business do Google, mas tinha o potencial de abrir novos mercados e alcançar novos usuários e estava alinhado com sua missão de disrupção da conectividade. O Google sabia do risco, mas também acreditava que poderia valer US$10 bilhões se desse certo.


Ao utilizar o modelo dos Três Horizontes, as organizações podem equilibrar seus portfólios de inovação, assegurando que dediquem recursos e atenção não apenas às demandas do presente, mas também às oportunidades emergentes e às visões de longo prazo. Isso permite que as empresas se mantenham competitivas no presente, enquanto se preparam para o futuro.