Publicado em:
31/07/2023
Sabemos que muitas empresas não sofrem de escassez de ideias - ao contrário, enfrentam o desafio de identificar quais ideias devem ser apoiadas e ampliadas. Este desafio torna-se ainda mais complexo em empresas maiores, particularmente durante as descontinuidades do mercado. Nesses períodos, tomar a decisão de apostar na próxima onda de crescimento pode parecer extremamente arriscado - até que a pressão competitiva exija mudanças.
Compreender que a inovação carrega consigo uma dose intrínseca de risco é o primeiro passo para enfrentar esses desafios. Porém, a gestão eficaz da inovação não consiste em eliminar esses riscos, mas sim em gerenciá-los. O segredo está em saber onde procurar inovações de valor e como estabelecer limites para a exploração dessas oportunidades.
Portanto, a inovação não é somente uma questão de geração de ideias, mas também de identificação, gestão e priorização das mesmas, a fim de garantir que o seu potencial seja plenamente realizado.
A inovação é um fator crucial para o sucesso de qualquer empresa. No entanto, nem todos os projetos de inovação são bem-sucedidos. Ao longo do ciclo de inovação, várias etapas podem apresentar desafios e obstáculos que, se não forem superados, podem levar ao fracasso do projeto como um todo. Neste artigo, vamos explorar casos mal sucedidos de produtos inovadores que podem ocorrer devido a falhas em qualquer uma das sete etapas do ciclo de inovação: Direção Estratégica, Inspiração, Ideação, Prova de Conceito, Piloto, Implementação e Produção, e Medição e Feedback.
A Kodak, gigante da fotografia, falhou em perceber a direção estratégica que o mercado estava tomando em relação à fotografia digital. Embora tenham desenvolvido a primeira câmera digital em 1975, decidiram suprimir a inovação para proteger a venda de filmes. Esta falha na direção estratégica levou ao declínio gradual da Kodak.
A primeira etapa do ciclo de inovação é a direção estratégica, onde a empresa define sua visão e objetivos para a inovação.
Um exemplo clássico de fracasso nessa etapa é o caso da Kodak. A Kodak, uma empresa conhecida por sua liderança na indústria de fotografia, inventou a câmera digital. No entanto, a empresa não conseguiu se adaptar ao rápido avanço do mercado digital e acabou pedindo falência. O fracasso da Kodak na direção estratégica foi evidente, pois a empresa não conseguiu reconhecer a importância da tecnologia digital e não conseguiu alinhar sua estratégia com as mudanças do mercado.
Em suma, a gigante da fotografiafalhou em perceber a direção estratégica que o mercado estava tomando em relação à fotografia digital. Embora tenham desenvolvido a primeira câmera digital em 1975, decidiram suprimir a inovação para proteger a venda de filmes. Esta falha na direção estratégica levou ao declínio gradual da Kodak.
A etapa de inspiração é onde as empresas buscam novas ideias e inspirações para a inovação. Um exemplo de fracasso nessa etapa é o caso da Blockbuster. A Blockbuster era uma empresa líder no mercado de locação de filmes e não conseguiu encontrar a inspiração necessária para se adaptar à crescente demanda por streaming de filmes e séries. Enquanto a Netflix ofereceu vender-se para a Blockbuster, a empresa não percebeu o potencial da tecnologia de streaming e acabou falindo. Esse caso destaca a importância de estar aberto a novas ideias e perspectivas durante a etapa de inspiração.
Outro caso emblemático foi o Google Glass, em 2013, foi a grande aposta do Google em AR (Realidade Aumentada) e embora tenha sido inspirado pela ideia futurista de ter um computador em um par de óculos, foi um fracasso notável. O produto não conseguiu encontrar um problema real que resolvesse para os consumidores, tornando-se um gadget caro sem um propósito claro.
A fase de ideação é um momento crucial no processo de desenvolvimento de produtos, pois é quando as ideias são geradas e avaliadas. É durante essa fase que as empresas devem procurar oferecer um diferencial atraente que permitirá que seu produto se destaque no mercado. Este diferencial pode ser uma nova funcionalidade, um design inovador, uma estratégia de precificação competitiva, entre outros.
Lançado em 2006, o Zune da Microsoft foi uma tentativa de competir com o iPod da Apple. Apesar da ideia parecer promissora, o produto final foi uma cópia inferior ao produto da Apple, em vez de uma inovação real. O Zune tinha muitas das mesmas funcionalidades básicas que o iPod, mas não oferecia muitas inovações. A Microsoft falhou em oferecer um diferencial suficientemente atraente para atrair usuários e o produto foi descontinuado em 2011, depois de não conseguir conquistar uma parcela significativa do mercado.
Portanto, a fase de ideação é crucial para que as empresas possam identificar e desenvolver características que ofereçam um diferencial atraente e que possam garantir o sucesso do produto no mercado.
O Samsung Galaxy Note 7 é um caso emblemático de falha no que poderíamos considerar a fase de "Prova de Conceito" (Proof of Concept, em inglês). Esta fase é crucial para validar se uma nova ideia ou produto pode realmente funcionar na prática, e no caso do Note 7, existiam graves problemas de segurança que não foram adequadamente identificados e resolvidos antes do lançamento do produto.
O principal problema do Galaxy Note 7 foi a ocorrência de explosões e incêndios causados por falhas na bateria do dispositivo. Ao todo, foram registrados mais de 100 casos de Note 7 que pegaram fogo. A causa desses incêndios foi identificada como um defeito na bateria do smartphone, mais precisamente na separação entre os eletrodos positivo e negativo da bateria. Em alguns casos, essa separação era inadequada, permitindo que os eletrodos entrassem em contato, o que levava a um superaquecimento e, eventualmente, a um incêndio.
O problema foi tão grave que a Samsung decidiu fazer um recall de todos os aparelhos vendidos, cerca de 2,5 milhões de unidades, e posteriormente decidiu cessar completamente a produção do modelo. A falha do Galaxy Note 7 causou um enorme prejuízo financeiro para a empresa, além de um sério dano à sua reputação.
Este caso mostra a importância de testar e validar adequadamente o conceito de um produto antes de seu lançamento. Se a Samsung tivesse feito uma Prova de Conceito mais rigorosa, que incluísse um teste de segurança detalhado da bateria, ela poderia ter identificado e corrigido o problema antes que o produto chegasse ao mercado. A falha no Galaxy Note 7 foi um lembrete caro de que pular etapas importantes no processo de desenvolvimento de produtos pode ter consequências graves.
O caso do Facebook Home destaca a importância crucial da fase de piloto no processo de desenvolvimento de um produto. O Facebook Home foi uma tentativa do Facebook de criar uma interface de usuário para smartphones Android que colocaria a rede social no centro da experiência móvel. No entanto, logo após seu lançamento, ficou claro que o produto tinha falhado em atender às expectativas dos usuários.
Durante a fase de piloto, o Facebook Home recebeu críticas mistas, com muitos usuários expressando preocupações sobre a interface e a qualidade geral da experiência do usuário.
No entanto, o Facebook Home foi lançado apesar dessas críticas, resultando em uma recepção de mercado ainda mais negativa. Os usuários acharam a interface invasiva, pois o Facebook Home assumia o controle da tela inicial e do bloqueio de tela, tornando difícil para os usuários acessar outros aplicativos e funcionalidades do telefone. A experiência geral do usuário foi percebida como inferior, com muitos usuários reclamando que o Facebook Home tornava o uso de seus smartphones mais complicado, em vez de mais fácil.
Esses problemas levaram ao fracasso do produto durante a etapa de piloto. Isso destaca a importância de realizar testes extensivos e considerar as preocupações dos usuários antes de implementar uma solução em larga escala. As críticas deveriam ter servido como sinais de alerta para os desenvolvedores, sinalizando que havia questões significativas que precisavam ser abordadas antes do lançamento.
A etapa de implementação e produção é onde as empresas colocam suas ideias em prática e as levam ao mercado. Um exemplo de fracasso nessa etapa é o caso da Microsoft e seu telefone, o Windows Phone. Apesar de um lançamento bem-sucedido, a Microsoft não conseguiu atrair desenvolvedores de aplicativos para a plataforma, o que levou à sua descontinuação. Desta forma, um dos principais desafios enfrentados pelo Windows Phone foi a falta de aplicativos disponíveis na sua loja, comparado com as dezenas de milhares de aplicativos tanto no iOS como no Android. Muitos desenvolvedores de optaram por não criar versões de sues aplicativos para o Windows Phone devido à sua pequena base de usuários. Como resultado, os usuários do Windows Phone não tinham acesso a muitas aplicativos populares, o que comprometia seriamente a utilidade e a atratividade do sistema operativo.
Além disso, o Windows Phone foi criticado por sua interface de usuário, que era significativamente diferente do iOS e do Android. Enquanto a Microsoft pretendia que isso fosse um diferencial, muitos usuários acharam a interface confusa e difícil de usar.
Por fim, a estratégia de marketing da Microsoft para o Windows Phone também foi questionada. Muitos consumidores não viam o valor ou a necessidade de mudar para o Windows Phone, principalmente porque não oferecia uma proposta de valor clara que o diferenciasse dos concorrentes.
Como resultado desses e de outros desafios, o Windows Phone nunca conseguiu ganhar tração significativa no mercado. Em 2017, a Microsoft anunciou oficialmente que não desenvolveria novas funcionalidades ou hardware para o Windows Phone, efetivamente admitindo o fracasso do sistema operativo.
É crucial que as empresas não só coletem feedback dos usuários, mas também estejam dispostas a fazer as mudanças necessárias com base nesse feedback. Ignorar as preocupações e desejos dos usuários pode levar a uma baixa adoção e, finalmente, ao fracasso do produto.
Lançado em 2009, o Foursquare se apresentava como uma solução inovadora para a interação social. O aplicativo permitia aos usuários fazer check-in em locais, compartilhar sua localização com amigos e descobrir novos lugares com base em recomendações personalizadas. Em seu auge, o Foursquare atraiu milhões de usuários ativos por mês e parecia destinado a reformular a forma como interagimos com as cidades. No entanto, a história de sucesso não durou.
Em 2014, a empresa tomou a decisão estratégica de dividir o aplicativo em dois: o Foursquare, para recomendações de lugares, e o Swarm, para check-ins. A ideia era separar os dois principais recursos do aplicativo para proporcionar uma experiência mais focada ao usuário. No entanto, essa decisão foi tomada sem uma análise cuidadosa do feedback dos usuários.
A reação à mudança foi em grande parte negativa. Os usuários se sentiram frustrados com a necessidade de ter dois aplicativos para fazer o que antes faziam com um. A base de usuários começou a declinar e o Foursquare lutou para recuperar sua popularidade anterior.
Aqui entra o maior erro do Foursquare: a empresa falhou em avaliar adequadamente o feedback dos usuários e adaptar sua estratégia. Apesar das críticas, a empresa continuou com sua decisão de manter os aplicativos separados e tentou avançar com novos recursos em vez de abordar as preocupações dos usuários. Essa falha na etapa de mensuração e feedback resultou em uma perda significativa de usuários e de relevância no mercado.
O caso do Foursquare serve como um lembrete de que o feedback dos usuários é um componente crítico no ciclo de inovação. Ignorá-lo ou subestimá-lo pode levar a resultados desastrosos. As empresas devem estar prontas para se adaptar e mudar com base nas necessidades e desejos de seus usuários para ter sucesso no cenário digital em constante mudança.